Fernando Morgado: demanda e audiência garantem a sustentação do rádio

A matéria e o editorial reproduzidos a seguir foram publicados originalmente na edição nº 70 (agosto/2010) do jornal do SindiRádio/RS – Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado do Rio Grande do Sul.

A força das marcas e do conteúdo das rádios AM foi o foco da palestra ministrada pelo pesquisador Fernando Morgado, do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia, durante o 10º Seminário da Qualidade na Radiodifusão. Para Morgado, o formato de programação talk, falado — característico das rádios AM — nunca foi tão importante quanto atualmente. “Ele é o melhor para prestar serviço, informar, entreter e reforçar a alma local”, disse.

O pesquisador destacou ainda que a realidade das rádios hoje é a de lançarem seus conteúdos tanto em AM como em FM, o que, para ele, é bom. “Quanto mais plataformas receberem o conteúdo da rádio, maior atenção ela receberá. Nenhum ser humano é capaz de ouvir uma rádio AM e uma FM na mesma hora, no mesmo aparelho”, lembrou.

Ao abordar a constante ameaça de que o rádio vai acabar, o palestrante usou uma fala do presidente do Grupo Abril, Roberto Civita. Quando questionado sobre o fim do jornalismo impresso com a chegada da internet, Civita respondeu que o assunto não lhe importava, já que não fabricava papel. “Essa resposta só reforça que o foco de quem trabalha com informação deve ser o conteúdo, adaptável às diferentes plataformas”, explicou.

Internet como parceira
A popularização da tecnologia, em especial da internet, não deve ser encarada como um problema, segundo ele. Conforme o pesquisador, a internet facilita o acesso ao conteúdo radiofônico, mais do que banaliza a sua produção — principal temor dos radiodifusores. “As novas tecnologias deixam de ser um bicho papão para serem aliadas, pois potencializam coisas que o rádio já tinha. A posição de relevância de quem sabe fazer rádio é diferenciada. O fato de podermos fazer rádio em casa não vai nos fazer abandonar o rádio feito por quem sabe”, completou.

Uma preocupação pertinente para os radiodifusores, na opinião do palestrante, é a medição de audiência do conteúdo radiofônico. Ele destacou que nunca se consumiu tanto conteúdo sonoro na história. “Audiência nos carros, nos telefones celulares e na internet o IBOPE não reconhece. Não temos esse peso medido hoje. O rádio evolui e o que a gente usa para vender não evolui”, lamentou.

A identificação da rádio com a comunidade local também é um dos trunfos do setor para os novos tempos. Para ele, a rádio deve ser uma extensão da personalidade do ouvinte e da sua comunidade e a personalidade da emissora define-se a partir do valor que o conteúdo tem para o ouvinte. A meta da estratégia de mercado deve ser gerar pertencimento. “Uma rádio feita aqui, para o público daqui, nunca deixa de ser relevante. O ouvinte precisa identificar a emissora como sendo a sua rádio, o que gera um sentimento de fidelidade que os outros meios não têm”, disse.

* * *

Editorial

Amigos,

É com muita satisfação que entregamos a você esse informativo, dedicado ao 10º Seminário da Qualidade na Radiodifusão. Na minha análise, nosso encontro foi excelente e contribuiu para elevar a auto-estima de nossos associados, deixando claro que o rádio AM não morrerá nos próximos anos, e que a programação AM está invadindo todos os meios de comunicação existentes, pois a tecnologia não tem limites.

As apresentações que tivemos e os debates propostos, tanto por Luiz Ferrareto como por Fernando Morgado e Roberto Canázio, enfatizaram que o nosso negócio é realmente tocante, pois mexe não só com a emoção, mas com a razão de nossos ouvintes, que nos têm como fiéis da balança em termos de informação.

A briga tecnológica nós não temos como impedir, mas a briga pelo fortalecimento e busca de novos conceitos para nossas programações estamos travando e vencendo com grande dignidade. Enfrentamos vários meios de comunicação que, sem dúvida alguma, abocanham a maior fatia publicitária do mercado, porém, quanto à audiência de massa, sem dúvida esta é fiel ao nosso segmento, em especial ao rádio AM.

Um dos segredos dessa nossa vitória é a interação que conseguimos, de forma rápida e moderna, com o nosso público. Estamos em todas as mídias com a mesma credibilidade e rapidez que nossos ouvintes querem. O evento que findou deixa a obrigação  de iniciarmos uma nova década mantendo o sucesso de nossos negócios, mas cada vez mais alinhados à realidade do dia a dia de nossos ouvintes.

A diretoria do SindiRádio já está pensando no 11º Seminário da Qualidade, que deverá ocorrer em maio do ano que vem e buscará na realidade do setor o sucesso e a base para a nossa trajetória futura. Tenho certeza de que a palavra chave de nossa missão é interagir com o nosso público através do som das rádios AM e FM, das ondas curtas e médias, da internet, da televisão e de todas as plataformas possíveis.

Obrigado por nos acompanharem e compartilharem, cada vez mais, desse nosso sonho que, sem dúvida, já se tornou realidade. Um bom trabalho a todos!

Ary Cauduro dos Santos
Presidente do SindiRádio

~ por Fernando Morgado em 26/08/2010.

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