Oduvaldo Cozzi: mestre do esporte no rádio e na TV
Oduvaldo Cozzi é considerado um dos nomes mais importantes da história do rádio esportivo brasileiro. Na “Revista do Rádio” de 26 de março de 1955 (clique aqui para confirir outros destaques desta edição resgatada pelo blog do Fernando Morgado) é anunciada a chegada do famoso locutor à televisão, ao mesmo tempo em que garante sua permanência também no rádio (tratado na reportagem como “seu velho amigo de mais de vinte anos de trabalho”).
A seguir, veja a reprodução da capa e das páginas internas da “Revista do Rádio” de 26/3/1955, além do conteúdo da matéria escrita por Milton Salles, com fotos de Hélio Brito. [Obs.: a matéria emprega algumas vezes o termo "lustro". Ele significa um conjunto de cinco anos.]
Cozzi adere a TV… mas continua no rádio
Oduvaldo Cozzi, com mais de quatro lustros de atividade radiofônica, dos quais 17 anos como locutor esportivo, é um dos mais antigos locutores especializados do rádio carioca. Sua carreira foi iniciada em 1933, na extinta Rádio Ipanema. Como locutor comercial, esteve em seguida como locutor nas Rádios Cosmos (São Paulo), Transmissora e Nacional. Considerando das mais pacatas e pouco emocionantes a tarefa de ler textos e anúncios e gostando de dinamismo, passou a fazer irradiações esportivas, em 1938, na própria PRE-8, sem ganhar um centavo a mais. Da emissora da Praça Mauá (onde chegou ao posto de diretor artístico), Cozzi se transferiu para a Rádio Gaúcha (Pôrto Alegre), estêve na Mayrink Veiga durante muitos anos (inclusive como diretor artístico), cumpriu uma temporada na Continental e agora está nas Associadas cariocas, depois de uma série de marchas e contra-marchas:
— Que é que você vai fazer nas Associadas, Cozzi?
— Aquilo que venho fazendo há mais de três lustros e que gosto muitíssimo de fazer: descrever para os ouvintes pelêjas futebolísticas e levar-lhes tôda a gama de emoções dêsse esporte rico em movimento que é o futebol. Estarei em atividade na Televisão Tupi, aos sábados, e nos demais dias na Tamoio, que agora é especializada em esportes e informativos.
— Quais são os elementos da sua equipe?
— Tome nota: Sérgio Paiva, José Dias, Mauro Pinheiro, Ricardo Alfredo, Fernando Carlos, Júlio Delamare, Waldemar de Barros, Avelino Dias, Vitorino Vieira e Marum Jasbik. Uma boa equipe, por sinal. Composta de elementos que já estão habituados a trabalhar comigo e que muito poderão fazer para que a Tamoio, nesta nova fase de suas atividades, ganhe de imediato a simpatia do público ouvinte. Com o correr do tempo e à medida das necessidades, essa equipe será acrescida de novos nomes.
Ensaiamos uma nova pergunta, mas, antes que a fizéssemos, o famoso locutor esportivo acrescentou:
— Quero ressaltar aqui, o trabalho dêsse veterano que não perde o entusiasmo de um calouro o nosso querido Edmar Machado, responsável igualmente pelos destinos da PRB-7 na fase que iniciamos no dia 1º de março. Edmar Machado tem se mostrado incansável, atento a todos os pormenores para que a nossa tarefa seja cumprida com êxito e obtenha o rendimento esperado.
— Quais as novidades que a Tamoio apresentará?
— Diversas, sempre com o intuito de bem servir aos desportistas e aos que desejam estar bem informados. Veja só: além dos noticiários curtos de hora em hora, apresentaremos, de segunda à sábado, às 20,05 horas, “Marcha o esporte”, focalizando o que acontece no cenário desportivo do Brasil e do mundo. Aos domingos, além da grande resenha das atividades esportivas, ofereceremos uma novidade aos ouvintes: o “Jogo miniatura”. Cobriremos todos os grandes acontecimentos esportivos e estaremos atentos às grandes pelêjas, sejam de campeonatos regionais, nacionais ou continentais. A Tamoio não decepcionará aos seus sintonizadores, fiquem certos.
Para finalizar, perguntamos ao chefe do departamento esportivo das Associadas cariocas o maior jogador de futebol brasileiro.
— Sinceramente, para mim não existe o maior, mas grandes jogadores dentre os quais destaco Zizinho, Santos, Ademir, Castilho, Julinho, Pinheiro e um punhado de novos que dia a dia estão aparecendo — concluiu Oduvaldo Cozzi.



