A TV e o rádio em 1955
Além dos famosos “mexericos”, a “Revista do Rádio” também trazia notas importantes do universo administrativo e comercial das principais emissoras de rádio e TV no Brasil.
As maiores cifras e os principais executivos de então eram destaque na seção “Particularmente…”, publicada na antepenúltima página da “Revista do Rádio” (dividindo espaço com o expediente e o box “Acontecimentos Sensacionais!”, que antecipava os destaques da edição seguinte).

Luís de Carvalho e Emilinha na capa da “Revista do Rádio” nº 289,
de 26 de março de 1955
Leia abaixo o que foi notícia na coluna “Particularmente…” na “Revista do Rádio” de 26 de março de 1955 [além de algumas notas explicativas feitas por mim].
• Quem tiver 6 milhões de cruzeiros poderá adquirir a TV-Paulista, pois êsse é o preço estipulado pelos seus donos atuais, mas dinheiro à vista, sem nenhum abatimento.
[A TV Paulista havia sido fundada em 1952 pelo deputado Ortiz Monteiro. Quem acabou comprando a emissora em 1955 foi a Organização Victor Costa, que, anos mais tarde, foi vendida ao jornalista Roberto Marinho].
• Continua o “Correio da Manhã” interessado na maioria das ações da Rádio Eldorado e as negociações prosseguem, embora lentas.
[A Rádio Eldorado do Rio de Janeiro, então pertencente ao jornal "O Estado de S. Paulo", acabou também sendo vendida para Victor Costa. Na década de 1960, ela também foi comprada, junto com todos os seus outros veículos, por Roberto Marinho].
• Para se ter uma ideia do poderio econômico das Emissoras Unidas em São Paulo basta dizer-se que a sua fôlha de pagamento a artistas e funcionários sobe a 5 milhões, mensalmente.
[Nessa época, as Emissoras Unidas − de propriedade de Paulo Machado de Carvalho − eram constituídas pelas rádios Record, Pan-Americana − atual Jovem Pan −, São Paulo, Bandeirantes e Excelsior, além das TVs Record e Rio].
• O sr. Hélio Fernandes tem todo o apoio do sr. Alencastro Guimarães na direção da Rádio Mauá, motivo pelo qual não adiantam nada as reclamações que de vez em quando chegam ao Ministro do Trabalho contra o novo diretor da H-8.
• Foi muito bom o lucro da Rádio Globo no ano de 1954, se não vejamos: Cr$ 3.972.000,00.
• Já por duas vêzes o sr. Marcial Dias Pequeno pediu ao sr. Café Filho [então Presidente da República] que o substituisse na superintendência da Rádio Nacional, não sendo atendido.
• As altas esferas do rádio paulista acreditam que a Rádio Nacional de São Paulo vai perder muito quando mudar de nome.
[Acabou que a Rádio Nacional de São Paulo só veio a mudar de nome em outubro de 1977, quando virou Rádio Globo São Paulo].
• O sr. João Calmon, novo superintendente da Rádio Tupi, tem em suas mãos uma lista de funcionários suspeitos de comunistas.
• As fábricas de gravação pretendem fazer um novo aumento (e grande) na venda de discos e só ainda não o fizeram porque não estão tôdas de acôrdo.
• O sr. Manoel Barcelos tem dito a amigos íntimos que esta foi a última vez que aceitou a presidência da Associação Brasileira de Rádio.
• Os vencimentos de Oduvaldo Cozzi nas Associadas não vão aos 120 mil cruzeiros por mês, como foi espalhado, tendo avido um acréscimo nas cifras para efeito (compreensível) de publicidade.

