Gugu Liberato, SBT e Record

A ida de Gugu Liberato para a Record encerrou uma história de 35 anos do apresentador com o SBT. Uma história que, aliás, começou antes mesmo do nascimento do SBT: aos 14 anos de idade, o jovem Augusto Liberato recebeu o convite de Silvio Santos para trabalhar ao lado dele na produção do seu programa dominical. O apresentador e empresário havia ficado impressionado com a quantidade de atrações que o então garoto do bairro paulistano da Lapa sugeria através de cartas.

Gugu começou como office-boy e, com o tempo, foi ganhando outras funções, ao mesmo tempo em que mantinha seus estudos no período da noite. Formou-se em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e ganhou mais alguma experiência no rádio e na TV, chegando a participar de um programa voltado para a colônia portuguesa, o “Caravela da Saudade”.

Gugu na "Sessão das Dez Premiada" - SBT, 1981

1981: Gugu Liberato comanda a “Sessão das Dez Premiada”
(foto de Paulo Salomão -  Abril.com)

Com o nascimento definitivo do SBT em 1981, Gugu ganhou novas e maiores oportunidades na emissora. Tornou-se um dos pioneiros do canal ao comandar a “Sessão das Dez Premiada”. Algumas de suas primeiras aparições no “Programa Silvio Santos” foram como repórter e editor do boletim “A Semana do Presidente”.

Mas a grande chance veio em 1982, quando Gugu assumiu, ao lado de mais dois apresentadores, o comando do “Viva a Noite”. Inspirado num concurso de danças feito na TV argentina, o “Viva a Noite” acabou transformando-se num programa de auditório variado que, pouco tempo depois, passou a ser comandado somente por Gugu.

Gugu no "Viva a Noite" - SBT, 1986

1986: Gugu anima o “Viva a Noite”
(foto de Sérgio Berezovsky – Abril.com)

Juntamente com o seu então diretor Roberto Manzoni (o “Magrão”), Gugu criou alguns dos quadros de maior audiência da TV nos anos 1980 como “Sonho Maluco”, o concurso do Rambo brasileiro, além de diversas provas entre famosos que animavam a platéia do Teatro Silvio Santos e a audiência do SBT nos sábados à noite.

O rápido crescimento da sua popularidade como animador acabou permitindo que Gugu também enveredasse pelo mundo dos negócios. Entre as décadas de 1980 e 1990, o apresentador investiu em diversas atividades: exportação de suco de banana, azeite, tremoços, azeitona, vinho e vinagre para os EUA e Europa (Dominó Internacional); fábrica de doces e bolos; lanchonetes; casa noturna (Fabbrica 5, em sociedade com o ator Miguel Falabella); postos de gasolina; concessionárias de automóveis; produção independente para TV, imóveis; varejo (Lojas do Gugu); parque de diversões indoor (Parque do Gugu); parque aquático (Fantasy Acqua Club); brinquedos e licenciamentos. Dentre todas essas iniciativas, talvez a mais conhecida pelo público tenha sido a Promoart, empresa que lançou nomes como Banana Split, Dominó, Polegar e Marco Camargo (atual diretor musical da TV Record e jurado do programa “Ídolos”).

Muitos desses investimentos aconteceram como consequencia direta do contrato que Gugu havia assinado com o SBT no começo de 1988 e que era, até aquele momento, o maior já assinado na história da TV brasileira.

Depois de quinze anos ao lado de Silvio Santos, Augusto Liberato havia se transferido para a TV Globo e iria assumir o comando de uma nova atração dominical. A emissora carioca enviou seu novo apresentador para realizar cursos e comprar atrações no exterior, além de ter investido na construção de novos cenários no Teatro Fênix e na gravação de chamadas para a temporada 88. Enquanto isso, o dono do SBT enfrentava problemas de saúde (especialmente com as suas cordas vocais) que ameaçavam forçá-lo a se aposentar. Encontrar um sucessor para a sua maratona dominical tornou-se uma necessidade urgente e o nome que ganhou a preferência de Silvio foi Gugu.

Disposto a trazer seu aprendiz de volta para a Vila Guilherme (bairro onde ficava a sede do SBT nos anos 1980), Silvio Santos entrou em contato com Gugu ele lhe fez uma proposta irrrecusável. Após o acordo, os dois foram conversar pessoalmente com o proprietário da TV Globo, jornalista Roberto Marinho, que aceitou a transferência de Augusto Liberato, mas mediante o pagamento de uma multa recisória milionária.

Feito o pagamento, Gugu retornou ao SBT e entrou numa nova fase de sua carreira. O “Viva a Noite” recebeu novos investimentos em técnica e cenografia. Além disso, todos os espaços de merchandising da atração passaram a ser comercializados pela empresa do próprio apresentador, que também ganhou vários minutos da programação da emissora para divulgar seus produtos e suas empresas. E, além de tudo isso, Gugu passou a dividir os domingos do SBT com o seu patrão, assumindo o comando de quadros como “Cidade Contra Cidade” e “Passa ou Repassa”, além de lançar segmentos novos como “TV Animal”, “Nações Unidas”, “Domingugu”, “Big Domingo”, “Play Game”, “Corrida Maluca”, “Programa de Vídeos” e, finalmente, em 1993, o “Domingo Legal” (que nasceu como uma versão diurna do “Viva a Noite”).

Enquanto o sonho de ser o sucessor de Silvio Santos ganhava espaço no ar, outro desejo de Gugu começava a se tornar cada vez mais real: ser dono de uma rede de televisão. O apresentador – através da empresa Rádio e TV Paulista – ganhou diversos canais em todo o país, que chegaram a ser afiliados à Rede 21. Em entrevista realizada pelo jornalista José Armando Vanucci para a rádio Jovem Pan, Gugu declarou que abandonou esse sonho, pois a chegada de novas tecnologias e a entrada de grupos internacionais à televisão paga acabou por dificultar muito a montagem de novas emissoras. Hoje, Augusto permanece apenas como proprietário de uma geradora em Cuiabá/MT que é atualmente afiliada à TV Aparecida.

Nesta mesma entrevista, o novo contratado da Record declarou que sua nova atração deve estrear no mês de agosto e se chamará “Programa do Gugu”. O contrato, com duração de oito anos, também prevê a produção de um talk show para a Record News, além de outras oportunidades de negócio em merchandising.

A seguir, dois vídeos postados por xftu95 que mostram alguns dos programas mais importantes da carreira de Gugu Liberato no SBT.

Chamada de estreia de Gugu Liberato a TV Record (postado por rederecord)

Fontes:
Parabólica JP
“Prata da casa” (Veja, 6/7/1983)
“O novo milionário da TV” (Jornal do Brasil, 12/2/1988)
“Gugu monta império de US$ 4 milhões” (Jornal do Brasil, 7/5/1990)
“Substituição lenta e gradual se acelera” (O Globo, 18/10/1992)
“Gugu aproveita imagem para se fortalecer como empresário” (Meio & Mensagem, 28/6/1993)
“Gugu, o concorrente” (Folha de S. Paulo” 3/9/1995)
“O peso de ouro do SBT” (Meio & Mensagem, 11/12/1995)
“O motorista de táxi mais rico do mundo” (Jornal do Brasil, 25/5/1997)

~ por Fernando Morgado em 11/07/2009.

4 Respostas to “Gugu Liberato, SBT e Record”

  1. A onde vc estiver deus vai te iluminar e abri as portas de um novo mundo vc e eterno gugu liberado uma pessoa maravilhosa que tudo que vc colocas as mãoes vira ouro vc e muito especial continua sempre a sim esta pesssoa engraça bricalhona e com um umor maravilhoso sou sua fã e fou continuar para sempre eterna fã. beijos para toda sua faminlia.

  2. Gugu fiquei triste em você ter saído do sbt. Eu não perdia um programa seu ,gosto muito de você espero que você faça muito susseso nessa nova emissora, vou estar te acompanhando aonde você estiver……….beijosssssssss …Gugu tenho muita vontade em ter conhecer, sou muito sua fã………um dia eu realizo esse sonho.

  3. Apesar de a record ser a emissora que tem muita audiencia, porque é boa mesmo, em jornalismo, agora com o Gugu vai ficar melhor ainda, eu fiquei triste, pois não vejo SBT sem Gugu, como não vejo SBT sem Silvio Santos, mas fazer o que né,esperamos agora ficar completa com as novelas. Assim ganha a globo.

  4. SBT PERDEU SEU MELHOR FILHO

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