TV Tupi e Pepsi: a parceria

Em sua autobiografia “Minhas Bandeiras de Luta” (Fundação Assis Chateaubriand, 1999), João Calmon contou, em detalhes, boa parte de sua intensa trajetória de vida. O trabalho como senador da República e presidente dos Diários e Emissoras Associados permitiu que ele participasse ativamente de muitos dos momentos mais importantes da história recente do Brasil.
Uma das passagens mais interessantes dessa rica biografia – e que nunca havia sido divulgada para o grande público – envolveu a gigante americana Pepsi. Seguem abaixo alguns trechos que tratam desse assunto no livro “Minhas Bandeiras de Luta”.
“[...] reunimo-nos na tarde do dia 23 [de janeiro de 1977] com o chairman of the board da Pepsi, Donald Kendall. Marido de Joan Crawford, ele era o responsável, entre outras grandes realizações, pelo ingresso da empresa na Europa Oriental, inclusive com a instalação de uma fábrica na União Soviética.”
[...]
“A conversa, foi, no geral, dirigida para a Política e para a Educação. Só mais tarde é que discutimos negócio. [...] Acabamos por examinar em termos mais concretos apenas a possibilidade de uma joint venture entre os Diários Associados e a Pepsi em torno de empresas que faziam o engarrafamento do produto no Brasil.”
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“[...] No dia seguinte [24/1/1977], fomos à sede da Pepsi. A conversa não foi longa, mas pudemos chegar a uma conclusão. A proposta de Teddy [responsável pela Pepsi na área norte da América Latina] não nos interessava.”
Provavelmente, esta proposta de sociedade com os Diários Associados buscava repetir no Brasil a história de sucesso que a Pepsi havia escrito na Venezuela, onde a marca era cuidada pela família Cisneros, proprietária da maior rede de TV daquele país (Venevisión).
Como o negócio de bebidas depende fortemente de divulgação, o fato de contar com um grupo de comunicação com o alcançe dos Associados poderia ser encarado pelos executivos estadunidenses como uma garantia de sucesso para da Pepsi no Brasil.
Outro empresário importante da comunicação, Adolpho Bloch, também tem uma passagem interessante numa área industrial distinta de sua atividade principal. Antes de montar a Rede Manchete de Televisão, Bloch tinha o projeto de montar a primeira fábrica de latinhas de alumínio sem costura do Brasil.
“Foi nessa mesma estada em Nova Iorque [em 1981] que, durante uma reunião do American Jewish Committee, fui procurado pelo senhor Norman Alexander que se apresentou como diretor da Rutherford Company. Eu conheço a firma – que estava fabricando máquinas para imprimir latas de alumínio sem costura para bebidas. Era então uma novidade, pois as latas que usavam no Brasil eram de folha-de-flandres e tinham costura. Conhecia a técnica e achei que seria um grande negócio investir no setor. Contudo, não quis fechar o contrato na hora. Disse que regressaria ao Brasil e depois voltariamos a falar no assunto.”
“Pessoalmente, eu preferia continuar investindo na editora, visitando exposições de máquinas gráficas, de livros, revistas e, com o tempo, concretizando o projeto de fabricar latas de alumínio – uma novidade no mercado brasileiro. Possuía em Água Grande instalações de 30 mil metros quadrados para a nova indústria, cujo ramo é parecido com o meu. Para isso, eu tinha recursos mais que suficientes. Para iniciar a televisão, entre outros projetos, eu tinha de comprar de uma só vez 12 milhões de dólares em filmes que poderiam ser transmitidos apenas três vezes no espaço de dois anos. E em dois anos, meus amigos, os 12 milhões de dólares viravam fumaça.”
Os trechos acima foram retirados do artigo “De Kiev ao Rio: Adolpho Bloch – Uma história de Sucesso”, publicado na Manchete nº 2.217 (22/11/1995) e novamente publicado na edição especial de 45 anos da revista.

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