Ricky Medeiros: entrevista exclusiva

Ricky Medeiros participou de muitos dos momentos mais importantes da história da TV brasileira nos últimos anos. Nascido nos Estados Unidos, Ricky foi uma peça fundamental na construção do SBT (ainda na época da TVS), onde trabalhou nos mais variados setores: foi o responsável pela adaptação do formato americano que deu origem ao “Qual é a Música”; implantou o jornalismo na rede de Silvio Santos (com o “Noticentro” em 1981); editou as inesquecíveis chamadas da campanha “Quem procura acha aqui”; intermediou as milionárias negociações entre o SBT e os estúdios Warner e Disney; trouxe o fenômeno “Chiquititas” para o Brasil; entre muitas outras iniciativas.
Além da TV, Ricky desenvolve um importante trabalho no meio espírita, sendo o autor de vários livros: “A Passagem”; “Quando Ele Voltar”; “Pelo Amor ou Pela Dor…”; “Vai Amanhecer Outra Vez”; “Diante do Espelho”. Suas obras sempre alcançam enormes tiragens.
Atualmente, é responsável pela expansão do formato Shop Tour – criado por Luiz Galebe – para outras cidades do Brasil e, inclusive, do exterior.
Nesta entrevista concedida com exclusividade ao Fernando Morgado Televisionado, Ricky Medeiros relembra seu começo na televisão, sua trajetória de 26 anos ao lado de Silvio Santos no SBT, fala sobre os projetos do Shop Tour e ainda faz suas considerações sobre o atual momento da televisão brasileira e internacional.
Fernando Morgado: Desde novo, você já se interessava por televisão? Como foi seu primeiro contato com esta mídia?
Ricky Medeiros: Eu comecei a me interessar por TV aos 17 anos. Conheci Luiz Lopes Correia, que era jornalista na Rádio Nacional e na TV Paulista, na Rua das Palmeiras, em São Paulo. Eu ficava com ele até meia-noite (até matando aula no dia seguinte) vendo programas, conhecendo como funcionava rádio e televisão. Logo depois, quando a minha família voltou para os Estados Unidos, fui estudar na Syracuse University, onde tirei o meu bacharel e mestrado. Depois de me formar, trabalhei como produtor de jornal na WJZ TV, de Baltimore, e na ABC, em Nova Iorque.
Fernando Morgado: Como você conheceu Silvio Santos e como foram os seus 26 anos de SBT? Quais os momentos mais marcantes desta etapa da sua carreira?
Ricky Medeiros: Quando eu era moleque, meu pai foi transferido para Brasil. Eu tinha 13 anos de idade. Aos 15, comecei a frequentar, com a empregada da nossa família, um programa de auditório: o “Programa Silvio Santos”. Ele [Silvio Santos] era o meu ídolo de adolescência e continua sendo, na minha opinão, o melhor apresentadador da televisão. Nesta época, que matava aula, o Luiz Lopes me levou para conhecer o meu ídolo: o Silvio também apresentava um programa na Rádio Nacional. Falei para ele: “meu nome é Ricky, sou americano, estou voltando para EUA, e vou estudar televisão. Um dia vou trabalhar com você”.
Bem… Quando eu estava na ABC, resolvi tirar férias no Brasil. Uma noite, fui procurar o Luiz Lopes no Rádio Nacional (já era Globo). Eu vi o Silvio Santos no outro lado da rua, era domingo, e ele estava saindo do programa dele na TV Globo. Atravessei a rua, mostrei minha carterinha da ABC, e me apresentei, falando que queria um emprego com ele. Fui contratado. Foi assim mesmo. Voltei para Estados Unidos, fiz as malas, e comecei a trabalhar. Não era nem SBT na época, era TV Studios. O meu primeiro trabalho, com 25 anos de idade, foi adaptar um formato americano: “Name That Tune”, que virou o “Qual é a Música”.
Os meus anos no SBT foram muito gratificantes. Fiz coisas que jamais sonhei em fazer quando era estudante: negociacações internacionais (Warner e Disney), trabalhar em TV ao vivo, fazer jornalismo, montar departamento de programação, chamadas… Não trocaria por nada.
Fernando Morgado: Você tem fortes ligações com o mercado dos Estados Unidos (país que já está na fase final do processo de digitalização da sua TV). Como você analisa esse momento da televisão de lá e, a partir disso, quais são as suas expectativas para a consolidação da interatividade e da alta definição na vida dos telespectadores brasileiros?
Ricky Medeiros: Eu acho que a TV digital vai ser, e está sendo, um grande nada. Muito diferente da TV em cores, cuja demanda veio do consumidor, a TV digital está sendo imposta pela indústria eletrônica e governos. A interatividade não vai ser pela TV; será pela Internet. A alta definição, perdoe falar, nada mais é do que uma desculpa para renovar o saturado mercado de venda de aparelhos de TV. A diferença da qualidade de imagem não supera a falta de conteúdo e também, para a maioria dos consumidores, não justifica o preço e a inconveniência da troca. Nos Estados Unidos, nenhuma emissora até agora está usando os sub-canais que o digital oferece: nao tem mercado para sustentar. Se isto está acontencendo lá, não vejo muita diferença no Brasil. O consumidor está sendo obrigado a fazer esta mudança, ele não pediu. Tem pessoas que falam que isto é a salvação da TV aberta: muito pelo contrário, a TV aberta jamais será o que ela era há dez anos atrás, ou até cinco anos atrás.
Fernando Morgado: Além da televisão, você é um renomado autor de livros espíritas, sendo que muitos deles são best-sellers. Como começou esse trabalho na sua vida?
Ricky Medeiros: Eu me interessei pelo espiritismo com a morte do meu irmão… Mas a base foi criada também pelo Luiz Lopes Correia, que era espirita, e foi quem me levou a ler Allan Kardec em inglês. A curiosidade começou assim. Pensando bem, devo muito ao Luiz: o interesse em televisão e o espiritismo. Ele era uma pessoa muito paciente com um garoto pentelho de 17 anos.
Fernando Morgado: Hoje você é responsável pela expansão do formato do canal Shop Tour. Fale mais sobre este trabalho e sobre os planos de crescimento da emissora.
Ricky Medeiros: O Shop Tour representa um outro grande e novo desafio para mim. Este formato não existe em qualquer outra parte do mundo e foi criado aqui no Brasil por Luiz Galebe. Estamos implantando o formato em várias cidades no Brasil e, até agora, todos os nossos operadores estão relatando grande sucesso. O desafio no Brasil é combater os ‘clones’ do Shop Tour e convencer as pessoas que querem fazer o formato de fazer certo, de não copiar mal feito, de implantar com o know-how que a equipe Shop Tour adquiriu durante 20 anos. Não temos afiliadas: em cada cidade se faz o Shop Tour local. Aliás, voce pode ter certeza de uma coisa: a televisão do futuro, que está chegando, será a dos nichos segmentados. A TV aberta deve seguir um outro caminho: se nivelando ainda mais por baixo, tentantado ser um veículo que pode entregar uma massa de público ao mesmo tempo. Mas o anunciante deverá fugir desta fórmula: logo vai poder identificar e atingir quem ele quer, na hora que ele quer.



Parabens, ficou muito bacana
deve ser uma honra entrevista-lo
Rodolfo disse isso em 30/04/2009 às 16:45
adorei Ricky
são comentários típicos de quem já viveu muito a televisão,
totalmente lúcido.
parabéns
Galebe
Galebe disse isso em 26/04/2009 às 11:29
excelente, Fernando! parabéns!
Hamilton disse isso em 25/04/2009 às 9:58