Chatô: “Vamos todos para o pasto!”

Foram muitas as campanhas que o jornalista, empresário, advogado, Senador, mecenas, fazendeiro, Embaixador e “repórter do jornal Alto Madeira” (como gostava de se auto-intitular) Assis Chateaubriand liderou através dos seus Diários e Emissoras Associadas. A manchete deste artigo refere-se justamente a uma dessas campanhas: a pelo reflorestamento e plantio de capins Jaraguá e Colonião para ampliar as forragens da Bahia. “Há na Argentina e Uruguai toda uma aristocracia cuja base é o capim”. “Baianos! Vamos todos para o pasto, que é de capim que vive o homem!”.

Lançamento do primeiro torneio internacional de Xadrez do Brasil; defesa do cultivo da mandioca, do caju, dos cafés nobres e do algodão-mocó; luta contra a lepra; valorização da cultura sertaneja com a criação da “Ordem do Vaqueiro” (depois “Ordem do Jagunço”); retorno dos beija-flores às cidades; implantação de museus regionais de arte: difícil encontrar um assunto que não tenha sido alvo de alguma iniciativa de Chatô.

A televisão brasileira é também resultado direto de toda essa energia, visto que sua implantação foi no sentido contrário de todas as previsões pessimistas dos especialistas internacionais.

A TV Tupi trouxe uma série de benefícios para o Brasil e um deles foi a maior divulgação e valorização da cultura indígena. Em 1949, os Associados já haviam realizado uma campanha pela criação da “Rede de Cultura Tupi”. Aliás, aqui vai uma curiosidade: a idéia de batizar as primeiras rádios de Assis Chateaubriand com o nome “Tupi” veio do escritor e grande ufanista Monteiro Lobato. No livro Brasil, primeiro: a história dos Diários Associados, o autor Glauco Carneiro conta essa história através da reprodução do trecho de um texto escrito por Chatô que conta como se deu esse momento importantíssimo:

“Lobato foi, uma temporada, colaborador permanente de ‘O Jornal’. Vinha ao nosso escritório, no Rio, sentava-se e ficava a informar em voz alta os programas de vida, que esboçara levar para Nova York. – Tupy Company! Tupy Company! Tupy Company! – eis os dizeres dos luminosos dos escritórios que planejava abrir na Broadway, tão cedo para aquela metrópole se mudasse. O nome indígena ficou-nos gravado na memória. Pedidas as duas primeiras concessões de “broadcastings”, o nome “Tupi” de Lobato era levado ao nosso diretor do departamento de rádio – Antônio de Alcântara Machado. Ele o aprovou com alvoroço”.

Com o nascimento da primeira rádio do grupo – a Tupi do Rio de Janeiro, em 1935 – nascia também a tradição Associada de batizar todas as suas estações de rádio e TV com nomes de origem indígena: Baré, Borborema, Cariri, Corumbá, Guarani, Itacolomi, Itapoan, Marajoara, Piratini, Poti, Tamoio, Tupã, Tamandaré, entre muitos outros.

Para saber mais, não deixe de ler Brasil, primeiro: a história dos Diários Associados, de Glauco Carneiro, editado pela Fundação Assis Chateaubriand.

~ por Fernando Morgado em 01/05/2008.

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