A Alma do “Chaves” (parte 2)

Na semana passada, você leu aqui no Televisionado como foi o começo da vida e da carreira de Roberto Gómez Bolaños, o homem que deu vida a Chaves e Chapolin. Agora, seguiremos nossa história rumo ao sucesso na TV mexicana e internacional, passando pela sétima arte, rádio e teatro.
O apelido Chespirito nasceu na época em que Bolaños trabalhou no cinema, ainda no começo de sua carreira, quando escreveu seu primeiro roteiro para a telona: “Vagabundo y Millonario”. Vendo a genialidade daquele novo redator, o diretor do filme exclamou, por diversas vezes: “Mas esse menino é um pequeno Shakespeare, é um Shakespirito!”, (algo como “Shakesperzinho”, em português). Seus amigos e colegas de trabalho logo adotaram o nome e trataram de adaptá-lo ao som do espanhol, convertendo-o em “Chespirito”. Durante um período de sua vida, Bolaños era mais conhecido por esse apelido do que pelo seu próprio nome.
O êxito no rádio (com “El Circo de Capulina”) levou Bolaños para a TV como redator do programa “Comicos y Canciones”, que se tornou líder de audiência. A inauguração, em 1969, da TIM – Televisión Independiente de México (canal oito) abriu um novo campo de trabalho, antes monopolizado pela Telesistema Mexicano (canais 2, 4 e 5), e logo Roberto Gómez Bolaños começou a trabalhar na nova emissora escrevendo e atuando num quadro de humor chamado “El Supergenios de la Mesa Quadrada”, dentro do programa “Sabado de la Fortuna”. Foi nessa época que nasceram personagens como o Dr. Chapatin e o Prof. Girafales, além das parcerias com Maria Antonieta de las Nieves (que viveria a Chiquinha), Ramón Valdez (que interpretaria o Seu Madruga) e Rubén Aguirre (o Prof. Girafales).
No começo dos anos 1970, Bolaños ganhou um espaço só seu no canal 8, onde foram lançandos seriados e personagens que se consagrariam como as suas maiores criações:
“El Chapulin Colorado”: um personagem nascido do desejo do seu criador em construir um super-herói latino-americano que fosse exatamente o oposto de tudo o que é idealizado nas famosas histórias americanas: medroso, desastrado, frágil, incapaz, mas que, mesmo assim, sempre vence no final, graças ao seu coração, que, aliás, é sua marca. O fato de Bolaños possuir a elasticidade suficiente para os tombos e quedas que o personagem pedia (muito devido à sua vida como atleta) foi ideal para a sua atuação como “Chapoiln”.
“El Chavo de Ocho”: O “Chaves” nasceu das brincadeiras que Roberto teve quando criança e de outros textos que escreveu durante a vida e que nunca haviam sido aproveitados. Ele dizia que, com “Chaves”, seu foco não eram as crianças, mas sim toda a família, que poderia divertir-se com os personagens da vila sem problema algum. O nome era “El Chavo del Ocho” porque se tratava do “Menino do Canal 8”.
Em 1972, Bolaños e toda a sua equipe transferem-se para o canal 2. Isso obrigou o autor a alterar o nome do seriado “El Chavo del Ocho” para apenas “El Chavo”. No ano seguinte, ocorre a fusão entre Telesistema Mexicano e Televisión Independiente de México, formando uma nova empresa: Televisión Via Satélite, ou seja, Televisa. Graças à grande estrutura desta corporação, os programas de Roberto ganharam o mundo, chegando ao Brasil em 1984 através do SBT (por onde é exibido até hoje).
Juntamente com o êxito na TV, Roberto seguiu com seu trabalho no cinema, sempre consagrado com recordes e mais recordes. Escreveu e adaptou, pelo menos, cinqüenta filmes. O longa-metragem “El Chanflin”, por exemplo, é, até hoje, a maior bilheteria da história do cinema mexicano. Nesse filme, Bolaños foi responsável pelo roteiro, além da direção das cenas de futebol. A direção geral foi de Enrique Segoviano, que, na época, também era diretor de “El Chavo”.
No teatro, “11 y 12”, a última peça assinada por Chespirito, é, até hoje, a que teve o maior número de apresentações durante uma temporada de estréia: foram quase 3.000.
Hoje, Roberto Gómez Bolaños continua a viver no México, ao lado da sua esposa Florinda Meza (a atriz que interpretava Dona Florinda), com quem é casado há mais de trinta anos. Um de seus filhos é o responsável pela produção da série “Chaves em Desenho Animado”, que adapta as histórias originais e as enriquece com novos ambientes e efeitos especiais de última geração. Em 2006, Bolaños lançou o livro “Foi Sem Querer Querendo” (ainda não traduzido para o português) que trata sobre política e questões de ordem internacional. Em 2005, foi homenageado pela Sociedade de Autores e Compositores Mexicanos (SACM) por seu mais de meio século de trabalho musical.
De tudo o que fez e faz, o que fica para nós, fãs de Chespirito e de suas criações, não é nada além daquilo que todos os seus textos, personagens e situações oferecem para todos nós: alegria. E essa alegria, estampada no rosto de milhões de pessoas em todo o mundo, é o que move o trabalho desse grande nome do humor e da televisão internacional.
Leia a primeira parte da história de Roberto Gómez Bolaños, o criador de “Chaves” e “Chapolin”, clicando neste link: http://televisionado.wordpress.com/2008/04/07/chaves-chapolin-sbt-historia/
Para saber mais sobre Roberto Gómez Bolaños, vale a pena ver um documentário produzido pela Televisa dentro da série “México Nuevo Siglo”. Ele está todo disponível, em 5 partes, no YouTube (postado por http://youtube.com/user/guiloberto).
Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Este texto também já está no portal Tele História: http://www.telehistoria.com.br/thnews/colunas_integra.asp?idColuna=1560
14 Junho 2008 em 9:08 pm
ACHO QUE ROBERTO GOMEZ BOLANOS É UM DOS MAIORES GENIOS DA HISTÓRIA DO MUNDO E POR MIM JAMAIS SERÁ ESQUECIDO.ESSE HOMEM É ADMIRÁVEL.