A Alma do “Chaves” (parte 1)
“Fazer chorar é fácil. O difícil é fazer rir”. Esta máxima, famosa em todo o mundo, procura resumir, em poucas palavras, o desafio que se impõe a um autor toda a vez que ele se coloca diante de uma tela ou de um papel em branco para começar a escrever algo que deva transmitir alegria para as pessoas. Na TV, esta situação dificulta-se ainda mais, dada a necessidade que se tem de atingir a todos os públicos, sem distinção alguma.
Reverenciar aqueles que, com seu talento e amor ao ofício, conseguem provocar intermináveis gargalhadas e, ao mesmo tempo, romper fronteiras culturais, temporais e geográficas, é uma obrigação que também se impõe a nós, fiel público que não se cansa de ver e rever as cenas criadas por esses gênios do riso.
O “Fernando Morgado Televisionado” dedica-se ao registro dos momentos mais importantes da história da TV no Brasil. É exatamente por isso que, nesta e na próxima semana, lançaremos nosso olhar para o México, país de onde se originaram vários nomes que fizeram parte da programação de diversas emissoras brasileiras. Entre eles, destaca-se um que, há décadas, permanece sucesso. Ele transformou toda a sua experiência de vida em cenas que estão entre as nossas melhores lembranças.
Roberto Gómez Bolaños nasceu na Cidade do México, em 1929. Filho de artistas (pai ilustrador e mãe pintora e poetisa), Roberto tinha dois irmãos e era o filho do meio. Aos seis anos, seu pai falece, deixando para a família, além da dor da perda, uma série de dívidas. Sua mãe teve de lutar sozinha para dar uma vida melhor aos seus filhos.
As brincadeiras e travessuras com os colegas da rua ajudavam o menino Roberto a ter uma infância mais alegre, apesar das dificuldades. “Eu era muito feliz. Não me dava conta de que éramos muito pobres”, diria Bolaños, muitas décadas mais tarde, num depoimento.
O esporte era sua paixão. Dedicou-se ao boxe e sagrou-se campeão em sua categoria. Roberto chegou a pensar que era invencível e de que sua vida seria nos ringues, mas logo veio a derrota e, com ela, outros caminhos. Começou a jogar futebol em times amadores. Era ponta-esquerda. Abandonou os gramados após ter problemas com o seu pouco peso (48 kg).
Bolaños passou a concentrar todas as energias que tinha na realização do seu sonho de infância: ser engenheiro. Começou a cursar uma das mais conceituadas faculdades da capital mexicana, mas decepcionou-se com a área. Começou a perceber que sua vida não seria projetando máquinas e construções, mas sim personagens e histórias.
Passou a estudar roteiro por conta própria, ao mesmo tempo em que procurava aperfeiçoar o seu domínio da língua espanhola. Um dia, abriu o jornal e viu que uma agência de propaganda procurava aprendizes de redação e produção de TV. Sentiu que era sua oportunidade e levou para a entrevista alguns artigos (humorísticos, por sinal) que havia escrito.
Contratado, Roberto iniciou sua carreira como redator, criando jingles e slogans que entraram para a história da publicidade mexicana. Graças ao sucesso de suas peças, foi convidado para redigir alguns quadros do programa mais ouvido do rádio na época, El Circo de Capulina, da estação XEW.

nossa nunca pensava que chaves era marido de dona florinda apesar que em desenhos animados brigam tanto.
julia luiza disse isso em 28/07/2008 às 19:53