Entrevista Exclusiva com Washington Rodrigues, o Apolinho da Rádio Tupi
Apolinho, o que se garante sozinho!
Líder de audiência no rádio, Washington Rodrigues também é sucesso na TV

Entrevista publicada com exclusividade pela edição de março do jornal “Grande Tijuca”
Sinônimo de futebol e bom humor, Washington Rodrigues, o Apolinho, é um dos poucos comentaristas esportivos que consegue ser respeitado por todas as torcidas, mesmo sem nunca esconder de ninguém o amor que sente pelo Flamengo. Seu grande sucesso no rádio acabou por levá-lo à televisão, tendo a oportunidade de trabalhar em todas as emissoras e estar em atrações que, muitas vezes, nem eram essencialmente esportivas, como quando participava da equipe de produção do programa de Abelardo “Chacrinha” Barbosa. Nessa entrevista concedida ao Grande Tijuca – e que também faz parte de uma pesquisa para a ESPM/RJ sobre a história da Rede Tupi de Televisão –, Washington Rodrigues fala sobre seu começo de carreira, suas histórias na telinha e sua paixão pelo rádio e pelo futebol.
Vamos começar falando sobre o seu trabalho em televisão, mas, antes dele, veio seu trabalho em rádio…
É. Eu comecei na Rádio Guanabara, que hoje é a Rádio Bandeirantes. Logo em seguida, comecei já a participar de programas esportivos na TV. Trabalhei em todas as emissoras: Globo, Tupi, Rio, Excelsior, Educativa, Manchete, CNT, enfim, trabalhei em todas elas, à exceção das de cabo.
Você lembra qual foi seu primeiro programa de televisão?
Foi na TV Excelsior. Era transmissão de futebol. Eu fazia reportagem de campo. Depois, participei de várias mesas redondas, da Revista Facit, na TV Globo, junto com (João) Saldanha, (José Maria) Scassa, Armando Nogueira… Apresentei, na TV Tupi, um programa logo depois da saída do Flávio Cavalcanti, que se chamava Domingo é Dia de Show. Eram cinco apresentadores e eu era um deles. No final só ficaram dois: eu e o Albino Pinheiro. Eu também apresentei uma das primeiras visitas do Jonny Mathis ao Brasil, foi um especial muito bonito…
Essa versatilidade você acabou levando para o rádio, não é?
No rádio, eu sempre tive programas variados. O Show do Apolinho (de segunda à sexta, de 17h às 19h, na Rádio Tupi/RJ), por exemplo, que eu estou apresentando há nove anos, não é um programa só de futebol. Tem muita notícia, tem música, tem brincadeira e tem o futebol. Futebol é o carro-chefe, mas não é só futebol, até porque segmentando você só fala com aquele tipo de público, e a minha intenção era abrir um pouco mais, e deu certo porque nós estamos liderando a audiência aí já tem alguns anos.
Conte um pouco mais sobre sua experiência na Tupi.
Na Tupi, eu fiz várias resenhas, vários programas esportivos ao meio-dia, à noite… E fiz esse Domingo é Dia de Show, que eu apostei muito nesse programa, achei que podia entrar numa briga com o Faustão, que veio numa mesma linha e fazia um programa de madrugada (Perdidos na Noite)… Eu imaginava que pudesse emplacar, mas aí a Tupi parou e o programa parou junto.
E os programas esportivos da Tupi?
Ah, tinham muitos! A Tupi foi a primeira a transmitir futebol. Transmitia futebol aos sábados. O patrocínio era dos Sapatos Fox. O Ademir Menezes, que era o centro-avante do Vasco, do Fluminense, era o garoto-propaganda. Ele entrava fazendo embaixada de sapato aí o cara dizia: “Pés que valem milhões calçam Fox”. E abria a transmissão. Nunca mais me esqueço disso!
Você participou também de muitos programas diários…
Na TV Rio tinha o Jornal do Futebol, às 18h30min; na TV Manchete, eu participava como colunista do Jornal da Manchete; na CNT, também participei do jornal (CNT Jornal) com a Leila Richards. Aliás, eu tenho uma passagem com ela fantástica. Ela é muito bonita, né? Uma pessoa muito inteligente e muito bonita. E o jornal tinha que obedecer aquele padrão, você não podia rir, não podia fazer nada… E ela dava uma notícia e passava para mim, em seguida, fazer a coluna de futebol. E a última notícia que ela deu é que o cientista descobriu que o uso contínuo do Viagra fazia as pessoas verem as coisas em azul. E ela estava toda de marrom. Então quando ela terminou, eu não resisti e falei: “Leila, como você está linda toda de azul, com esses olhos azuis…”. Aí ela começou a rir, levamos um breque do diretor do jornal e depois a vida seguiu… Ela é uma pessoa fantástica, gosto muito dela.
Por que você prefere o rádio?
Eu gosto muito do rádio. O rádio é muito mais ágil, permite que você faça uma análise mais completa do jogo, você tem tempo para desenvolver… Eu não gosto nem de assistir futebol na televisão, assisto sempre, mas tiro o som às vezes, boto o som do rádio. Comentário de futebol pra mim é no rádio, e no estilo que eu faço, quer dizer, sem interferência.
Como é que você consegue organizar a sua agenda, hein? Você faz participações o dia inteiro…
Eu chego aqui na rádio seis e meia da manhã, todo dia. Eu faço duas inserções no programa do Clóvis (Monteiro), às 7h45min e às 8h45min. Faço minha coluna do “Meia Hora” aqui mesmo (no seu escritório na Rádio Tupi) e depois começo a organizar o programa da tarde (Show do Apolinho). O programa da tarde dá um pouco mais de trabalho, porque tem o “Robetão”…
Então, para encerrar, uma última pergunta: o que você acha que um comentarista esportivo deve ter, ou que você tenha, para conseguir ser respeitado por todas as torcidas, mesmo tendo uma grande paixão por um time?
Posso falar por mim. Eu chego logo de cara e falo: “Olha, eu sou Flamengo!”, porque se eu disser “não, eu não tenho clube…”, tudo o que eu disser depois você vai ter o direito de achar que é mentira, porque já comecei mentindo na primeira. E eu procuro ser isento, mas ninguém consegue 100%. Isso é difícil de você administrar, mas, com o tempo eles (os torcedores) foram descobrindo que, quando eu erro, é porque eu erro. Não sou infalível. Tem a rejeição, que isso é natural, assim como eu também tenho minhas rejeições a vários colegas que são meus amigos até pessoais, mas que como comentarista eu tenho algumas diferenças disso ou daquilo, mas o que não quer dizer que eu tenha algum tipo de antipatia. Assim é que eu espero que eles hajam comigo também, quer dizer, respeitem a minha preferência. Não sou inimigo deles, só sou um eventual adversário, até porque se não houvesse essa rivalidade, não haveria futebol. Acho que foi por aí que eles me aceitaram.



Apolinho, voce é gigante. Achei interessante não ter citado o programa “Nacional 80″ com Hilton Aberrian. Sou rubronegro e voce está acima de paixão clubistica.
Sacramento disse isso em 16/11/2009 às 10:17
eu sou torcedor do botafogo mas sempre tive admiração pelo trabalho de Washigton Rodrigues gostaria de saber notícias atuais inclusive em que rádio ou emissora que eu posso ouvi-lo moro no E. Santo e aqui eu estou um pouco desligado do que acontece no Rio de Janeiro
Osias de Abreu disse isso em 05/03/2009 às 22:15
Muito boa a entrevista, super descontraída (como o próprio entrevistado) e completa. Me ajudou muito para saber mais sobre o famoso Apolinho. Obrigada.
Débora Bravo disse isso em 07/06/2008 às 2:04