100 anos de Adolpho Bloch; 25 anos de Rede Manchete
O ano era 1952. Naquele tempo, existia um império que reinava absoluto nas comunicações brasileiras: eram os Diários e Emissoras Associados, comandados por Assis Chateaubriand. Os Associados realizaram muitas façanhas: criaram uma cadeia de quase cem jornais, levaram o rádio para os pontos mais longínquos do Brasil, trouxeram a TV para um país que muitos estrangeiros julgavam “atrasado” e “menor”, criaram um museu que é referência internacional até hoje (o MASP), além de terem investido na melhoria da agropecuária brasileira e numa série de outras atividades importantes. Outra dessas façanhas foi a criação de uma revista semanal nacional para um país com um dos maiores índices de analfabetismo do mundo e que não possuía uma rede adequada de transporte que pudesse facilitar a distribuição dos exemplares. O resultado: essa revista, chamada O Cruzeiro, tornou-se a maior da América Latina, alcançando tiragens que até hoje não foram superadas e chegando a vários outros países do mundo.
Porém, naquele mesmo 1952, outra façanha foi realizada nas comunicações, mas, dessa vez, não foi pelas mãos do filho ilustre de Umbuzeiro (Chateaubriand), mas sim por um homem vindo de Jitómir (antiga URSS), que veio com sua família para o Brasil fugindo da perseguição sangrenta e covarde promovida contra os judeus. O gráfico Adolpho Bloch lançava Manchete: uma revista semanal que primava pela qualidade de impressão, pelas belas imagens e pelos artigos de alguns dos pensadores mais respeitados e admirados da nossa cultura. Coberturas como a da construção e inauguração de Brasília, o registro das grandes obras realizadas durante o “milagre econômico”, além de imagens das mais belas mulheres do mundo fizeram de Manchete um fenômeno maior que O Cruzeiro. Manchete foi a primeira revista do mundo a estampar, em cores, numa edição histórica, a chegada do homem à lua.
Manchete cresceu. Virou rádio AM, FM, casa de cultura em São Paulo (a “Casa da Manchete”), teatro, museu, fábrica de tinta off-set, escolas, outras revistas e, finalmente, em 1983, uma televisão. Em 5 de junho desse ano entrava no ar, como Bloch gostava de definir, a sua “rotativa sem papel”: a Rede Manchete, que levava aos lares brasileiros um visual moderno, espacial, condizente com o slogan “A Televisão do Ano 2000”.
Dirigida inicialmente por Rubens Furtado, a Rede Manchete investiu numa segmentação especial: homens, das classes A e B, ou seja, exatamente o target que as outras principais redes não atendiam prioritariamente. Para isso, foram gastos dezenas de milhões de dólares na compra dos melhores equipamentos do planeta, na montagem de shows musicais de alto nível, na implantação de escritórios no exterior e na compra de um pacote de 261 grandes filmes, a começar por Contatos Imediatos do Terceiro Grau, de Steven Spielberg, que foi apresentado na programação inaugural.
Nos anos seguintes, a programação se abriu mais. Minisséries e novelas como Dona Beija, Tudo em Cima, Antônio Maria, Santa Marta Fabril, Marquesa de Santos, Novo Amor, Corpo Santo, Carmem, Kananga do Japão, Pantanal – uma das maiores revoluções ocorridas na teledramaturgia brasileira em todos os tempos –, A História de Ana Raio e Zé Trovão, O Fantasma da Ópera, O Guarani, O Canto das Sereias, Tocaia Grande, Xica da Silva e Mandacaru levaram a Manchete a alcançar novos e maiores públicos. Os telejornais mais densos, os documentários campeões de audiência, os programas infantis que lançaram os símbolos máximos desse gênero no Brasil (Xuxa e Angélica), além do esporte e das grandes coberturas do carnaval, fizeram da emissora da Rua do Russel - 804, uma das mais queridas e lembradas até hoje. Se estivesse no ar, a Rede Manchete completaria, em junho próximo, seu 25º aniversário.
2008 é um ano que todos nós, que gostamos de televisão, cultura e informação, devemos comemorar, pois, foi graças a Adolpho Bloch – que, se estivesse vivo, completaria 100 anos este ano – e à Manchete (revista e TV) que o Brasil pôde ver e viver muitos dos seus mais bonitos e importantes momentos.
25 Março 2008 em 11:32 am
É isso aí!
A Rede Manchete de Televisão e a revista Manchete estarão sempre nas nossas lembranças como o que há de melhor na produção televisina e gráfica do país.
Valeu Adolpho Bloch. Você contribuiu e muito para a cultura do povo brasileiro.
Ah, que saudade da Rede Manchete!
1 Abril 2008 em 10:34 pm
eu gostaria tanto de consequir uma copia da fita que eu fiz parte da novela ana raio e ze trovao quando estiveram em piratini como eu faria para consequir a novela era 10, por favor eu gostaria de mostrar aqui na minha cidade a manchete era o maximo me deem uma pista como comprar essa fita foi em Piratini, de mais vou esperar resposta .