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Futebol na TV brasileira: criatividade dentro e fora de campo

Se o Brasil é o país do futebol, nada mais coerente que ele também seja o país do futebol na TV. Muito do que vemos até hoje em transmissões internacionais, como Olimpíadas e Copa do Mundo, foi inventado aqui, graças à ousadia e à criatividade dos profissionais brasileiros.

No começo, os problemas eram muitos: a falta de pessoal, os equipamentos extremamente pesados e que esquentavam rápido demais (chegavam a usar grandes barras de gelo para resfriarem as câmeras), além dos locutores que, acostumados ao rádio, não paravam de falar por um instante sequer, o que irritava os poucos telespectadores existentes naquela época. As transmissões em longas distâncias ainda eram muito complexas e caras. Para se ter uma idéia, a primeira transmissão interestadual só se deu em 1956, com a TV Record/SP mostrando, ao vivo da Praia de Copacabana, o locutor Sílvio Luiz (sim, o mesmo Silvio Luiz que hoje está na Band), com um microfone de 5 kg na mão, entrevistando belas banhistas com seus ousados biquínis. Ainda naquele ano, os paulistas veriam, também pela Record, o amistoso Brasil X Itália, no Maracanã, e o Grande Prêmio Brasil, direto do Hipódromo da Gávea.

Aliás, a Record foi a emissora que mais contribuiu nesse período para o desenvolvimento das transmissões esportivas, muito devido ao amor incondicional de seu dono, Paulo Machado de Carvalho, pelo futebol. O “Marechal da Vitória”, como era chamado, foi presidente do São Paulo Futebol Clube por duas vezes, chefiou a delegação brasileira nas Copas de 1958 e 1962, foi Presidente de Honra da CBD (atual CBF) e da Federação Paulista de Futebol e criou a primeira rádio voltada quase que totalmente ao esporte, a Panamericana (atual Jovem Pan).

Locutores engraçados – que aproveitavam o close numa moça bonita na arquibancada para lançar declarações de amor –, entrevistas com jogadores e técnico nos intervalos, colocação de câmeras atrás do gol, nas laterais do campo, no túnel e nos vestiários. Essas são algumas das coisas que, hoje em dia, são comuns nas TVs de todo o mundo, mas que foram criadas no Brasil durante os anos 1950 e 1960.

O replay, durante o seu começo aqui no Brasil, funcionava de um jeito muito diferente e muito mais complexo, já que ainda não existia o videoteipe: um fotógrafo era colocado atrás de cada um dos gols. A cada jogada perigosa ou gol marcado, uma foto era tirada. No final do primeiro tempo, os fotógrafos corriam até o caminhão da emissora, onde funcionava um laboratório de revelação improvisado, preparavam as imagens que, depois de prontas, colocavam na frente das câmeras para os jornalistas da transmissão comentarem.

A chegada dos satélites, do slow-motion (em 1971, na TV Cultura/SP), das cores (em 1972) e do “Tira-Teima” (durante a Copa 1986, na Rede Globo), sofisticaram ainda mais as transmissões. Hoje, um erro do juiz é ainda mais imperdoável e os olhos do torcedor estão em todo o lugar. O Brasil continua na dianteira do esporte na TV, sempre trazendo novidades, novos recursos tecnológicos e efeitos visuais cada vez mais complexos.

Saiba mais lendo “SBT e o futebol”: artigo exclusivo do Fernando Morgado Televisionado (clique aqui).
 
Também não deixe de ler os livros “Almanaque da TV” (de Bia Braune e Rixa, publicado pela Ediouro) e “O Marechal da Vitória: Uma História de Rádio, TV e Futebol” (de Tom Cardoso e Roberto Rockmann, publicado pela A Girafa).

Abaixo, um vídeo mostra os bastidores das transmissões de futebol da TV Tupi ainda na era da imagem em preto-e-branco (vídeo de xol8lox)

~ por Fernando Morgado em 02/03/2008.

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