Entrevista exclusiva com Nelson Hoineff, diretor de “Alô, Alô Terezinha”

•14/11/2009 • Deixe um comentário

Nelson Hoineff

Desde quando ingressou no jornalismo, aos dezessete anos de idade, o sonho de Nelson Hoineff era trabalhar com televisão. Hoje, ele vê seu desejo transformado numa realidade que vai além, inclusive, da tela da TV. Criador de programas consagrados como “Documento Especial” e “Realidade”, além de diretor de grandes produções como “Alô, Alô Terezinha”, documentário lançado recentemente e que conta a história do gênio Abelardo “Chacrinha” Barbosa, e “O Homem pode Voar”, sobre a vida de Santos Dumont, Hoineff também está à frente do IETV – Instituto de Estudos de Televisão: uma entidade sem fins lucrativos, cujo único objetivo é aprofundar o conhecimento sobre esta mídia, através de ações como a organização do Festival Internacional de Televisão e a publicação dos “Cadernos de Televisão” (revista quadrimestral de estudos avançados de TV).

Esta entrevista foi realizada na sede da sua produtora, a COMALT – Comunicação Alternativa, em dezembro de 2007, por ocasião da estreia da nossa coluna Fernando Morgado Televisionado no portal “Tele História”. Sempre vale a pena reler as palavras de Nelson Hoineff, que, além de ser um dos maiores profissionais de TV do Brasil, é também um dos maiores incentivadores da pesquisa sobre televisão no país.

Fernando Morgado: Qual o balanço que você faz da edição de 2007 do Festival Internacional de Televisão?
Nelson Hoineff: O festival, nesses três anos, é uma surpresa permanente. Trouxemos mais de trezentas e cinqüenta horas de programação de quarenta países, pensadores de televisão do mundo inteiro, e duas coisas completamente transformadoras aconteceram: a primeira foi a idéia de fazermos um módulo de pilotos brasileiros. Isso deu uma nova dinâmica ao festival. A segunda coisa é que um desses módulos acabou sendo apresentado pela TVE, fazendo com que a gente tivesse uma audiência que seria inalcançável dentro de uma sala de exibição. O saldo, portanto, é excepcional, e algumas coisas aconteceram por causa disso, por exemplo: o Festival de Televisão de Nova Iorque nos propôs um acordo de parceria pelo qual a mostra de pilotos brasileiros vai ser competitiva e os vencedores estarão no Festival de Nova Iorque e vice-versa. Além disso, a TV Brasil, já de saída, pediu para ampliar a parceria que a TVE já tem com o Festival.

Fernando Morgado: Aproveitando esse assunto, qual a sua opinião sobre esta fase inicial da nova TV Brasil?
Nelson Hoineff: Pelo o que eu estou vendo no ar, visivelmente, é que ainda é uma fase experimental, quer dizer, o que eu vi mesmo foi a fusão da programação da TVE do Rio com a Radiobrás e não muita coisa a mais. Eu acho que é importante ter uma televisão pública forte, não sei se é essa televisão, ou outra televisão, mas acho muito importante, num país como o Brasil, ter uma televisão pública forte, que não seja uma televisão estatal, mas que tenha capacidade, inclusive financeira, de se voltar para a experimentação, criação de novos formatos, um diálogo com a produção independente, para a invenção, que a televisão privada, comercial, tem falhado em nos oferecer, até porque há um comprometimento com audiência que as faz, muitas vezes, acreditar que o melhor é nivelar por baixo, o que não é verdade. Então acho que ter uma televisão pública com força para apostar na criação, na diversificação da produção, no desenho de novas formas, de novos modelos de conteúdo, essa televisão, se de tal coisa acontecer, ela tende a oferecer um grande serviço à sociedade brasileira.

Fernando Morgado: Você tem uma experiência grande de trabalho em TVs comerciais. Você acha que alguma dessas televisões conseguiu, em algum momento, se aproximar desse modelo mais razoável de televisão?
Nelson Hoineff: Ultimamente, não. Acho que as últimas experiências de inovação em televisão são muito antigas, infelizmente. Você vê experimentos muito bons de Fernando Barbosa Lima, Carlos Alberto Loffler, antes deles, pessoas como Jacy Campos. Era um momento que a televisão era mais pura, mais verdadeira, mais nobre, mais televisão. Agora mesmo eu estou fazendo um filme de longa-metragem sobre o Chacrinha [“Alô, Alô, Terezinha”] e estou já quase no fim, entrando na edição, e eu mergulhei em mais de 200 horas de programação e você vê como uma pessoa completamente politicamente incorreta podia ser tão criativa. Um tipo como o Chacrinha hoje não caberia na televisão brasileira. Chacrinha hoje estaria completamente desempregado. A televisão está muito pasteurizada, carecendo demais de invenção, de criatividade, está num processo psicanalítico de transferência para o espectador, ela trata o espectador, invariavelmente, como um débil mental, com isso ela está prestando um grande desserviço ao veículo. A nobreza intrínseca, a utilização de todas as suas potencialidades, o desenvolvimento de formas originais de conteúdo, de uma sintaxe própria, de modelos narrativos próprios, está escassa. A televisão tem sido vista como um veículo de segunda qualidade, como um importador de modelos de conteúdo estrangeiros, que já não são bons, e um mero exibidor de eventos: Carnaval, futebol… Se nós respeitássemos a televisão um centésimo do que os cineastas respeitam o cinema, do que os poetas respeitam a poesia, os escritores respeitam a literatura, a televisão seria grandiosa.

Fernando Morgado: Você veio da mídia impressa, dos jornais. Como você chegou à televisão?
Nelson Hoineff: Eu sempre quis fazer televisão. Em 1967, eu tinha 17 anos e já falava: “tudo o que eu quero fazer na vida é televisão”. E aí eu descobri que existia um festival de cinema amador chamado Festival de Cinema JB/Mesbla, e pensei: “Será que se eu fizer um filme para esse festival, alguém vai me chamar para fazer televisão?”. Aí eu consegui uma câmera emprestada, minha mãe me deu um dinheiro para comprar filme, e entrei no festival, mas não me chamaram naquela época. Até que em 1983, quando eu era correspondente da “Variety” no Brasil, estava sendo montada a TV Manchete e aí dei um jeito de entrevistar o Rubens Furtado e o Zevi Ghivelder, que estavam à frente do projeto. Para minha sorte, os dois acabaram me convidando para ir trabalhar na Manchete, que era exatamente o que eu queria.

Fernando Morgado: Na Manchete, você participou de quais programas?
Nelson Hoineff:
No início, eu era responsável pela editoria de cultura. O “Jornal da Manchete”, no começo, era muito grande, tinha uma hora e meia de duração, então nós tiramos a parte de cultura de dentro do jornal e passamos para um programa separado, o “Panorama”. Daí, eu saí por um tempo, fui fazer um curso de especialização em Nova Iorque sobre tecnologia de distribuição, e voltei como diretor do “Jornal da Manchete 2ª Edição” e dos eventos internacionais da Manchete. Quando retornei das Olimpíadas de 88, eu tive um desentendimento com o diretor de jornalismo da época, o Mauro Costa, uma ótima pessoa, e pedi demissão. O Jaquito [Pedro Jack Kapeller, então diretor-superintendente das Empresas Bloch] não aceitou e criou um negócio chamado Núcleo de Novos Projetos, que, na verdade, era eu sozinho. E foi ali que, um dia, me deu o desejo de criar um programa jornalístico que fosse completamente diferente de tudo o que existisse na TV brasileira e internacional. Para apresentar esse programa, que dei o nome de “Documento Especial”, fiz uma coisa que, dita agora, parece um exercício de retórica, mas é a verdade absoluta: peguei uma folha de papel e, num lado, botei tudo o que me incomodava na Manchete: “você não pode botar gente feia”, “você não pode falar em corrupção”, “você não pode botar pobreza”, “você não pode botar violência”… E do outro lado do papel: “botar um programa que fale de corrupção, violência, sexo, tenha gente feia, travesti, gay…”. Todo mundo torceu o nariz lá dentro, menos o Jaquito, que autorizou a produção do piloto, aprovou, e assim lançamos o programa. Na verdade, teve um momento que eu até fiz dois programas: um falso e outro verdadeiro. Um falso para ser aprovado pela direção e, no que a direção aprovasse, eu botava dentro da caixa o verdadeiro… O programa se tornou o maior êxito da Manchete, até que o SBT me chamou, pagando exatamente dez vezes o que eu ganhava e levando toda a equipe, também ganhando muito mais.

Fernando Morgado: Como foi sua experiência de fazer jornalismo no SBT?
Nelson Hoineff:
O SBT, onde eu trabalhei quatro anos, é um lugar excepcional no sentido que ele tem um dos pouquíssimos gênios da televisão brasileira, talvez o último gênio vivo da televisão brasileira, que é o Silvio Santos. Eu adoro o SBT!

Fernando Morgado: Depois do SBT, você teve uma experiência na Bandeirantes…
Nelson Hoineff: No mesmo dia que eu saí do SBT, eu recebi três convites: um do Alberico Souza Cruz [então diretor de jornalismo da Globo] me chamando, pela quarta vez, para dirigir o “Fantástico”, e pela quarta vez eu recusei. Fui chamado pelo [José Carlos] Martinez, da CNT, e pelo Rubens Furtado, que era diretor da Band. Eu fui para a Band e fiz um programa diário, de 7 às 8 da noite, chamado “Realidade”, que era, vamos dizer assim, um “Fantástico” diário: tinha jornalismo, entretenimento… Um ano depois, fizemos o “Documento Especial” lá, aí já produzido inteiramente pela minha produtora. Comecei a fazer algumas produções para televisão, como “Primeiro Plano”, “Cyberlife”, “Cyberkids”, fizemos o “Antes: Uma Viagem pela Pré-História Brasileira”, o primeiro filme em alta definição no Brasil, comecei a desenvolver um projeto sobre Santos Dumont, além do Instituto de Estudos de Televisão (IETV), que é minha outra filha, de seis anos, que hoje divide meu tempo: eu passo metade do tempo trabalhando para o IETV, e a outra metade para a minha produtora.

Fernando Morgado: Como nasceu o Instituto?
Nelson Hoineff: Em meados de 2001, veio me entrevistar um grupo da USP que editava uma revista maravilhosa chamada “Sinopse”. No final, um deles virou pra mim e disse: “Nelson, esse negócio de televisão é incrível: ou a pessoa faz televisão e não pensa televisão, ou ela pensa sobre televisão e não faz televisão. Então, por que a gente não monta um encontro trazendo realizadores de televisão e pensadores de televisão?”. Achei genial e assim nasceu o Encontro Internacional de Televisão, que foi um tremendo sucesso. Em seguida, nós decidimos fazer mais coisas, como Encontro de Roteiristas, Fórum de TV Digital, Seminário Esso-IETV de Telejornalismo…

Fernando Morgado: Para encerrar, uma mensagem final aos nossos leitores.
Nelson Hoineff: Minha mensagem é a seguinte: a gente está aqui esse tempo todo conversando sobre televisão em alto nível. Sinto que se nós ficássemos mais quatro horas conversando, teríamos muita coisa a dizer tanto no âmbito do IETV, como no dos programas de televisão… Então isso é, para quem está lendo, um indicador de como se pode e se deve pensar televisão num nível mais elevado e de como isso é gratificante, bom e prazeroso.

Abaixo, veja o trailer do filme “Alô, Alô Terezinha”, lançado pela COMALT e Globo Filmes (postado por Imovision)

Cenas da première do filme “Alô, Alô Terezinha” no Odeon ocorrida durante o Festival o Rio 2009 (postado por festivaldorio09)

Palestra e lançamento do livro “Televisionado” no Rio de Janeiro

•05/11/2009 • Deixe um comentário

Fernando Morgado apresentando a palestra e lançamento do livro "Televisionado" no auditório da ESPM-Rio

Gostaria de agradecer muito a todos que lotaram o auditório da ESPM-Rio na manhã desta quinta-feira e prestigiaram a palestra que apresentei sobre o posicionamento das quatro maiores redes de TV do Brasil e o lançamento do nosso livro “Televisionado: artigos sobre os principais nomes da TV”.

Muito obrigado também por todas as mensagens que recebi pessoalmente e pela Internet (em especial no nosso Twitter @morgadofernando) tanto daqueles que compareceram ao evento quanto dos que não puderam estar presentes mas fizeram questão de deixar o seu recado.

O livro “Televisionado: artigos sobre os principais nomes da TV” está à venda na página da Editora Multifoco.

Mais uma vez, muito obrigado a todos!

Fernando Morgado

Fernando Morgado faz palestra e lança livro na ESPM-Rio

•28/10/2009 • 2 Comentários

"Televisionado: artigo sobre os principais nomes da TV" (Ed. Multifoco)

O designer e pesquisador de rádio e TV Fernando Morgado apresentará no dia 5/11, às 10h da manhã, no auditório da ESPM/RJ (Rua do Rosário, 90, 11º andar, Centro), uma palestra sobre o posicionamento e a gestão da marca das 4 maiores redes de TV aberta no Brasil: Band, Globo, Record e SBT. Nessa mesma oportunidade, será lançado o livro “Televisionado: artigos sobre os principais nomes da TV” (Ed. Multifoco), reunindo textos que contam, sob diversos pontos de vista (histórico, comercial, artístico etc.) a trajetória das personalidades e emissoras mais importantes desses quase 60 anos de televisão no Brasil.

Você, leitor do blog do Fernando Morgado, é nosso convidado especial!

Palestra “Posicionamento das 4 maiores redes de TV do Brasil” e lançamento do livro “Televisionado: artigos sobre os principais nomes da TV”
Dia 5/11, às 10h da manhã
ESPM/RJ – Rua do Rosário, 90, 11º andar (auditório), Centro (próximo à estação Uruguaiana do Metrô)
Entrada franca

Um fundo de investimentos focado em empresas de mídia

•24/10/2009 • Deixe um comentário

Sabe-se que a administração de uma empresa de comunicação é absolutamente diferente da que é feita em qualquer outro setor econômico e isso se deve a vários aspectos que sempre abordamos aqui no nosso blog ou em nossas palestras. Por isso, muitos executivos e investidores tem se especializado em trabalhar especificamente com empresas de mídia. Um dos maiores exemplos do sucesso alcançado com este tipo de iniciativa é a Providence Equity Partners.

Sediada em Rhode Island e com escritórios em Nova Iorque, Los Angeles, Londres, Hong Kong e Nova Déli, a Providence investe, dentro do modelo de private equity, na aquisição (total ou parcial) somente de empresas que atuem nas áreas de mídia, entretenimento, comunicação e informação.

Prudence Equity Partners LLC

Fundada em 1989, a Providence investe atualmente em mais de 100 negócios diferentes através de sete fundos que, juntos, são responsáveis por um capital de mais de 22 bilhões de dólares e por um portifólio que reúne gigantes como Univision Communications (o maior grupo de mídia em espanhol dos EUA), Warner Music Group (a quarta maior gravadora do mundo) e The YES Network (rede de TV esportiva sediada em Nova Iorque), além de empresas líderes em TV por assinatura em importantes mercados europeus (como Alemanha, Holanda e Bélgica).

A Providence Equity, de acordo com o seu site, não apenas participa da composição acionária das empresas onde investe como também auxilia na gestão dos negócios, independentemente do estágio de desenvolvimento da empresa ou se o seu controle é familiar ou não.

Ainda de acordo com o seu site, a Providence define sua atividade da seguinte forma: “nosso objetivo é construir empresas extraordinárias que irão moldar o futuro da mídia, do entretenimento, das comunicações e da informação”.

Palestra em Curitiba

•22/10/2009 • Deixe um comentário

Mais uma vez, gostaria de agradecer a todos da Universidade Federal do Paraná, em especial aos alunos e professores do campus de Comunicação Social, pela presença na palestra que apresentei no dia 21/10 sobre o posicionamento das quatro maiores redes de TV do Brasil. Obrigado também a todos que, através do Twitter (@morgadofernando), entraram em contato conosco enviando mensagens muito gentis.

Também gostaria de parabenizar a equipe da Fábrica de Comunicação – agência júnior da UFPR – pela excelente organização do Ciclo de Palestras e por toda a atenção dada durante a minha estada em Curitiba, que é, realmente, uma cidade fantástica e que espero voltar em breve.

Mais uma vez, muito obrigado e um grande abraço a todos!

Fernando Morgado

Fernando Morgado faz palestra em Curitiba (UFPR)

•17/10/2009 • Deixe um comentário

"Ciclo de Palestras": Fernando Morgado na UFPR, em Curitiba

O posicionamento das 4 maiores redes de TV do Brasil será o tema da palestra que Fernando Morgado fará no dia 21 de outubro, às 20h30min, no campus de comunicação social da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba.

Aliando a experiência com os projetos de branding realizados na agência Tecnopop para as rádios das Organizações Globo com o seu trabalho, já há dez anos, como pesquisador do mercado de comunicação, Fernando Morgado apresentará como se dá a gestão das marcas Band, Globo, Record e SBT em todo o Brasil.

MaxiMídia 2009: saiba como foi o evento

•17/10/2009 • Deixe um comentário

MaxiMídia 2009

Entre os dias 6 e 8 de outubro, o Sheraton São Paulo WTC Hotel recebeu o maior evento do setor de comunicação da América Latina: o MaxiMídia 2009, realizado pelo jornal “Meio & Mensagem”.

O designer e pesquisador Fernando Morgado, ao lado do diretor André Stolarski, esteve lá representando a Tecnopop e apresentando o seu trabalho de gestão de marcas de emissoras de rádio e TV.

Clique aqui para ler, no blog da Tecnopop, o artigo exclusivo de Fernando Morgado sobre o MaxiMídia 2009.